![]() |
| A minha edição é a primeira da esquerda embaixo (ed. Record) com tradução de Brenno Silveira |
O Grande Gatsby é o mais famoso livro do
escritor americano F. Scott Fitzgerald. Publicado em 1925, Gatsby é a
representação máxima do que passou a ser conhecido como a Era do Jazz – termo
cunhado pelo próprio Fitzgerald.
O
romance é narrado em primeira pessoa pelo Conradiano Nick Carraway, para quem “reservar para nós os nossos juízos é coisa que proporciona infinitas
possibilidades. Tenho ainda certo receio de perder algumas coisas, se esquecer
que, como meu pai pretensiosamente sugeria, e eu, pretensiosamente, repito, um
certo senso de decência fundamental é concedido, ao homem, desigualmente, ao
nascer”.
Pelos
olhos de Nick somos apresentados à sua prima frívola e desdenhosa Daisy (“eu sempre espero o dia mais longo do ano e
ele passa despercebido”, “o que as pessoas têm em mente quando fazem planos?”)
e seu pseudo-intelectual e rude marido Tom Buchanan (“um desses homens que atingem, aos vinte e um anos, tão grande e
limitada excelência em alguma coisa que, depois, tudo em suas vidas cheira a
anticlímax”). Esse mundinho de enfado e desprezo balança quando entra em cena
o misterioso magnata Jay Gatsby interessado em reencontrar Daisy - um amor do passado. Aliás, mais que amar Daisy, Gatsby ama a idealização que tem de Daisy. Segundo o crítico Harold Bloom, Gatsby é um "idealista romântico". O mesmo romantismo que o faz de vítima.
Gatsby
é tido como um dos grandes clássicos da literatura americana. Na opinião do
saudoso autor britânico Christopher Hitchens: “o livro, assim como seu irmão
britânico ‘Brideshead Revisited’ de Evelyn Waugh, sobrevive à abismal
fragilidade e previsibilidade do plot
porque se agarram as nossas emoções e percepções ao condensar a efervescência
da juventude e o ódio inescapável da proximidade do tédio e da morte”.
O romance foi publicado em 1925, pós-Primeira Guerra Mundial. Um período de anticlímax e
insegurança anômica em que tanta gente buscava conforto no abuso de álcool que tradicionalistas
puritanos americanos implementaram a Lei Seca. Segundo Hitchens “o objetivo não era apenas demonizar o uso de
bebidas alcóolicas, mas todo o fenômeno moderno da época: liberdade sexual,
automóveis, migração das pequenas para as grandes cidades – especialmente
cidades pagãs e brilhantes como Nova Iorque: estrela do romance”. O fato
das suntuosas festas de Gatsby celebrarem justamente estas proibições apenas
confirma a deterioração da antiga ordem e a "perda da inocência" dos Estados Unidos. Novamente Hitchens: "nenhuma
outra cultura é tão bitolada nessa impressão narcisista de achar que tem alguma
inocência para ser perdida". Ao final de nove
capítulos e 156 páginas, Fitzgerald mata os inocentes e deixa vivos os culpados:
“Eles eram gente descuidada, Tom e Daisy: destruíam coisas e pessoas e, depois, se refugiavam em seu dinheiro ou em sua indiferença, ou no que quer que fosse que os mantinha unidos, e deixavam que os outros resolvessem as trapalhadas que haviam feito”.
“Gatsby acreditou na luz verde, no orgiástico futuro que, ano após ano, se afastava de nós. Esse futuro nos iludira, mas não importava: amanhã correremos mais depressa, estenderemos mais os braços... E, uma bela manhã... E assim prosseguimos, botes contra a corrente, impelidos incessantemente para o passado”
Outro item: há duas adaptações de Gatsby para o cinema: uma
com Robert Redford e outra com Leonardo DiCaprio. Mas não há como não assistir à série Mad Men e não enxergar Gatsby na história de Don Draper, um homem que reinventa seu passado para poder alcançar sucesso na vida.
