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| Edição lindona da Record e ótima tradução |
O livro é um catatau lindíssimo de 700 páginas. Editado pela Record em papel amarelado e com tipografia que segue as diferentes formas de narrativas (telegrama, telefonemas, manchetes de revistas, etc). Tablóide tem 100 capítulos distribuídos em 4 partes (Preliminares, Conluio, Porcos, Contrato). Cada capítulo tem média de 10 páginas e foca em um dos três protagonistas fictícios:
Kemper Boyd: policial ambicioso - uma espécie de rei da diplomacia do submundo - que é contratado pelo bisbilhoteiro orwelliano chefe do FBI J. Edgar Hoover para espionar os Kennedys, mas termina se rendendo aos charmes (e dinheiro) do comedor John Kennedy.
Pete Bondurant: ex-policial franco-canadense, torturador profissional, leão de chácara do sindicalista assassino James Hoffa, fornecedor de drogas para o magnata pinel Howard Hughes, anti-castrista, que pode ou não ter matado até o próprio irmão.
Ward Littell: ex-seminariata, especialista em grampo, que flerta com o comunismo e odeia a Máfia com força inversamente proporcional à admiração por Robert Kennedy.
A história dos três vão se cruzando até conversão final nos momentos que antecedem a morte de JFK. No caminho, há espaço para milícias cubanas anti-Fidel Castro, parcerias da CIA com a Ku Klux Klan, revistas sensacionalistas, listas de amantes de Marilyn Monroe e muita violência nos bastidores da Máfia de Chicago.
No (sub)mundo de Ellroy não existe moral. Com exceção, talvez, de Robert Kennedy, TODOS os personagens seriam titulares no time do inferno. De John Kennedy a Frank Sinatra, de Richard Nixon a Gloria Swanson, não há verniz suficiente para disfarçar toda a podridão dos bastidores da história americana, segundo Ellroy.
No (sub)mundo de Ellroy não existe moral. Com exceção, talvez, de Robert Kennedy, TODOS os personagens seriam titulares no time do inferno. De John Kennedy a Frank Sinatra, de Richard Nixon a Gloria Swanson, não há verniz suficiente para disfarçar toda a podridão dos bastidores da história americana, segundo Ellroy.
A escrita dele vale por uma aula. Vírgulas, adjetivos e parágrafos longos são raros. O ponto final definitivamente é o sinal de pontuação predileto do autor. Nas 700 páginas não há qualquer palavra que realmente não devesse estar ali. Nada extra. Síntese pura. Veja essa passagem que descreve Kemper Boyd levando a irmã bastarda dos Kennedy para uma festa da família:
Kemper passou 100 dólares ao maitrê. Um garçom levou-os até a sala particular da família.O tempo se imobilizou. Kemper pôs Laura ao seu lado e abriu a porta.
Joe largou o garfo. Seu suflê explodiu. Ava Gardner recebeu chocolate no decote.
Bobby se levantou e fechou os punhos. Jack agarrou a faixa do seu smoking e puxou-o para acadeira.
Jack gargalhou.Jack disse algo do tipo:- Mais colhões que cérebro.Joe e Bobby soltavam faíscas - radiantemente putos.O tempo ficou imóvel. Ava Gardner parecia menor do que a vida.
A tradução de Alves Calado deve ser elogiada. Minha tentativa de leitura no inglês original foi barrada no primeiro capítulo, devido às gírias, figuras de linguagem e trocadilhos.
Não li até hoje qualquer outro livro policial que eu tenha gostado tanto quanto Tablóide. Tivesse eu o poder para tal, enviaria uma cópia para cada leitor do blog. As continuações 6 Mil em Espécie e Sangue Errante aguardam na primeira prateleira da fila de leitura.
Não li até hoje qualquer outro livro policial que eu tenha gostado tanto quanto Tablóide. Tivesse eu o poder para tal, enviaria uma cópia para cada leitor do blog. As continuações 6 Mil em Espécie e Sangue Errante aguardam na primeira prateleira da fila de leitura.

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